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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013




Febris lágrimas, no jardim de teus sonhos, adormeceram
E tua sonolência, mimos da tristeza, vê-se no desmaio dos lírios,
Cuja palidez é espelho de um céu inacabado;
Não é azul, nem estrelado, é apenas, imenso e vago,

Tu que esperas, no banco dos angustiados,
Deverias compreender, que num lado, senta Esperança
- por quem o Amor, afinal, logo logo se ensandece -
E a Morte, que nunca senta, tem no outro assento
o vestígio do próprio cheiro – incenso macabro.

Não adianta, não há serpente neste jardim,
Quem decairá por frutos que não tem o doce, nem o amargo?
Se tua boca não conhece o sabor,
Como no dissabor da morte tua alma se abismará?

Frias lágrimas, no jardim de teus sonhos, adormeceram
E tua sonolência, humor da tristeza, vê-se no murchar dos lírios,
Cujo perfume se borra – veja, também apodreceu a última rosa;
Quando bebeu a dose mínima de tua dor;

'Que adiantará ser assim um jardim,
Que adiantará sem jamais conhecer o cheiro
Dos corpos que vagam nas paredes eternas de um olhar?

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