Páginas

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Partida.


Se fosse planejado talvez não houvesse causado tamanha desordem interior. Muito menos haveria me embriagado com sua beleza.
Eu que já desacreditava da força que governa os olhares, fui perder-me por aqueles, desorientados, que estavam sempre voltados para o sol. Aquele que estava numa brusca (in)consciente pelo hálito mórbido que certa feita lhe soprou a face.

Fui convidada a passear pelos jardins do palácio da saudade (sua morada), mas senti inveja de todas aquelas belas flores e como castigo fui banida do seu reino.
Súdita então do palácio das lembranças fui condenada a vagar ansiando o dia no qual seria aceita novamente. Dolorosa e (in)findável  espera.

Mas o principezinho regressou “Talvez eu tenha até sentido saudade” e me propôs ir mais fundo. Atravessar os jardins. Permitiu minha entrada em sua morada.
E quando sua estrela da manhã não surgia, ele buscava consolo em meus aposentos “Tenho medo. Quando o sol haverá de emanar sua luz novamente? As flores já não sorriem e acabam partindo em busca de terras mais quentes...” debruçado sobre o meu colo, soluços inaudíveis, quase um suplicio da alma. Desejei ter as mãos quentes para lhe afagar os caracóis que carregava sobre sua cabeça. Mas, elas estavam sempre frias. Mesmo assim ele permanecia e adormecia.

Pude observá-lo durante o sono e fantasiei ter a soberania de lhe tocar o ninho. Sentir todos os odores que o corpo exalava. Descobrir então feito criança levada que em tudo põe as mãos, tudo quer provar, se era doce o seu fruto.
Ele que ousou tocar com sabedoria os lugares mais escuros daquela alma (esquecida), provocando sensações até então desconhecidas. Pobre menina, ainda não percebeste que ele (o desconhecido) governa o seu corpo com maestria?.