Se fosse planejado talvez não houvesse causado tamanha
desordem interior. Muito menos haveria me embriagado com sua beleza.
Eu que já desacreditava da força que governa os olhares,
fui perder-me por aqueles, desorientados, que estavam sempre voltados para o
sol. Aquele que estava numa brusca (in)consciente pelo hálito mórbido que certa
feita lhe soprou a face.
Fui convidada a passear pelos jardins do palácio da
saudade (sua morada), mas senti inveja de todas aquelas belas flores e como
castigo fui banida do seu reino.
Súdita então do palácio das lembranças fui condenada a
vagar ansiando o dia no qual seria aceita novamente. Dolorosa e
(in)findável espera.
Mas o principezinho regressou “Talvez eu tenha até
sentido saudade” e me propôs ir mais fundo. Atravessar os jardins. Permitiu
minha entrada em sua morada.
E quando sua estrela da manhã não surgia, ele buscava
consolo em meus aposentos “Tenho medo. Quando o sol haverá de emanar sua luz
novamente? As flores já não sorriem e acabam partindo em busca de terras mais
quentes...” debruçado sobre o meu colo, soluços inaudíveis, quase um suplicio
da alma. Desejei ter as mãos quentes para lhe afagar os caracóis que carregava
sobre sua cabeça. Mas, elas estavam sempre frias. Mesmo assim ele permanecia e
adormecia.
Pude observá-lo durante o sono e fantasiei ter a
soberania de lhe tocar o ninho. Sentir todos os odores que o corpo exalava.
Descobrir então feito criança levada que em tudo põe as mãos, tudo quer provar,
se era doce o seu fruto.
Ele que ousou tocar com sabedoria os lugares mais escuros
daquela alma (esquecida), provocando sensações até então desconhecidas. Pobre
menina, ainda não percebeste que ele (o desconhecido) governa o seu corpo com
maestria?.